Essa peça fala de desamparo.
De alguém sem saída, que vai inventando fórmulas de escape instantâneas, que podem funcionar ou não, que podem redundar no mais tremendo fracasso, no flagrante delito, na execração pública.
De soluções frágeis.
De truques de prestidigitador.
De um caminho traçado pé ante pé, sempre com a possibilidade de encontrar o abismo, no próximo passo.
Essa peça fala da possibilidade de ignorar o abismo e voar, Ícaro desesperado, em direção ao que se quer. Sem barganhar o preço da passagem.
Não existe rede de proteção, não existe plano B, tudo está sempre por um fio, tudo, a qualquer momento, pode dar errado.
Não existe relação Newtoniana de causa e consequência.
Está tudo fragmentado.
O olhar do espectador interfere no experimento, ou a menos no que ele vai querer depreender de sua experiência. A opinião, em último instância, é dele.
Não existe juízo de valor.
Não existe moral nem na nem da história.
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